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[11 Jun 2010 | 0 Comentários | ]
<i>Reparação</i> de Briony Tallis

Se Reparação é um tipo de metalinguagem onde uma personagem está escrevendo o livro, Briony Tallis nos presenteia com uma obra-prima na hora de falar a verdade – que é toda a primeira parte, numerada em catorze capítulos.

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[5 Dec 2009 | 1 Comentário | ]
O Irmão Brontë

É engraçado pensar que os primeiros romances publicados pelas irmãs Brontë (Charlotte, Emily e Anne sob o pseudônimo de Currer, Ellis e Acton Bell) tenham causado o rumor de que eram obras de uma mesma pessoa. Embora uníssonas no período de publicação, a identidade das três irmãs está preservada na trama e na dicção de cada uma das obras. E sendo Emily a mais fechada das três, estava portanto mais aberta para escrever de um jeito que ninguém poderia cogitar.

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[27 Oct 2009 | 0 Comentários | ]
Da Mentira: Nietzsche como pretexto para uma estipulação acerca concepção da «Arte como Mentira» em Oscar Wilde

O roteiro da «mentira» possui inúmeros aspectos e inúmeras particularidades que merecem atenção. Por isso mesmo, talvez seja necessário, neste particular, proceder com algum cuidado, ainda que com alguma necessária audacidade.
A «mentira», no sentido comum da sua concepção, anexa-se àquele que mente, ao sujeito mentiroso, por clara oposição àquilo que temos referenciado como sendo a «verdade»: esteja esta última inscrita em que plano for.

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[23 Oct 2009 | 2 Comentários | ]
Entre o ódio e o desprezo

Fernando Vallejo é um escritor colombiano famoso por suas declarações polêmicas. Recentemente, disse que Ingrid Bettancourt era uma das maiores pragas da Colômbia, ao lado da Igreja, de Álvaro Uribe e de Gabriel García Márquez. Como não bastasse, declarou que o vírus da AIDS não serviu para muita coisa, matou apenas 20 milhões de pessoas. A esperança, diz Vallejo, é o vírus ébola: “esse, sim, vai animar um pouco essa festa”. Sua metralhadora verbal tenta chocar os mais castos.

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[25 Sep 2009 | 6 Comentários | ]
David Mourão-Ferreira ou a inscrição da memória

O tempo é reversível. Pela memória exuma-se um passado tido como perdido. Se a memória é acção, a palavra é a criação que lhe confere sentido: juntas executam o eterno retorno, transfiguram, legitimam o tempo branco, perpetuam-se e perpetuam o seu criador. A memória é o tema irradiante da escrita de David Mourão-Ferreira (1927-1996), com fulgor máximo na Obra Poética editada entre nós pela Presença. Fulgor máximo porque, como defendia Calvino, uma obra não se explica por parcelas, mas sim na sua totalidade, e esta Antologia – que colige a poesia do autor de 1948 até 1988 – tem todas as parcelas da grande urdidura do esplendor.

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[21 Sep 2009 | 1 Comentário | ]
Björk vs. Sylvia Plath

É difícil assinalar uma poetisa da atualidade que não tenha entrado em contato com a força magnética de Sylvia Plath em Ariel (1965), e que tenha passado ilesa desse contato, sem levar consigo qualquer influência.
O caráter literário das letras de Björk Gudmundsdóttir, desde que começou sua carreira solo internacional, tem suscitado questionamentos sobre suas leituras. Embora já tenha colocado trabalhos de E. E. Cummings em suas canções e citado William Burroughs em uma entrevista, seria necessária uma entrevista mais incisiva para saber exatamente e como ela é influenciada pela escrita.

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[7 Sep 2009 | 1 Comentário | ]
<i>As Vespas</i>, Aristófanes

Das quarenta e quatro comédias que Aristófanes terá escrito, chegaram até nós onze, além de diversos fragmentos e algumas dezenas de títulos de peças, hoje perdidas. A indisputável posição cimeira de Aristófanes resulta claramente da sua genialidade criadora – que nos forneceu algumas das mais poderosas páginas do teatro universal –, mas também da situação da sua obra perante a dos seus contemporâneos e predecessores.

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[21 Aug 2009 | 4 Comentários | ]
Hilda Hilst vs. Clarice Lispector

Clarice Lispector e Hilda Hilst. As duas maiores escritoras brasileiras em suas maiores obras: A Paixão Segundo G. H. (1964) e A Obscena Senhora D (1982). Embora separadas por quase vinte anos, ambas as prosas são em fluxo de consciência, ambas destinadas a registrar o caos de uma existência.

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[17 Aug 2009 | 0 Comentários | ]
Revisitar Cesário nos 123 anos da sua morte

Cesário Verde arranca facilmente paixões a quem o lê e, sobretudo, a sensação persistente do muito que há por descobrir no olhar do poeta que assim clamava: «Ah! Ninguém entender que ao meu olhar / Tudo tem certo espírito secreto!». Trata-se de um olhar cheio de realidade que apreende uma Lisboa antropomórfica, dos sentidos apurados, da luz e da transfiguração que esculpem a poesia, da contundente crítica social, do pungente retrato da condição humana, que ele nos deixou, a título póstumo, num diamante poético magistralmente lapidado: O Livro de Cesário Verde.

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[20 Jul 2009 | 3 Comentários | ]
Uma Nárnia adulta para <i>O Sobrinho do Mago</i>

Um dia o escritor infantil Roger Lancelyn Green perguntou sem pretensões a C. S. Lewis como um lampião foi parar no meio de uma floresta de Nárnia. Lewis ficou intrigado com a pergunta e para respondê-la acabou criando o mais delicado e profundo livro da série Crônicas de Nárnia: O Sobrinho do Mago (ou O Sobrinho do Mágico), em 1955. Um livro que se destaca dos outros sete porque o tom de aventura fica em segundo plano: temos na verdade um registro aprofundado da percepção humana em contato com um universo mágico.